5.7.11
Codel em POA
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Ocultar detalhes DE:Andrea Faria PARA:paulo Chamone Mensagem sinalizada Segunda-feira, 4 de Julho de 2011 23:10Corpo da mensagemCha, posta pra nós no blog o comentário do Cordel em Poa. O link é este http://relatomendonca.tumblr.com/
O abraço que vem do Interior
Confira o comentário de “Coreografia de Cordel”, atração do final de semana no Theatro São Pedro. A partir de amanhã, a programação do Festival do Teatro Brasileiro prossegue com “Cortiços”, no palco do Teatro Renascença, criação do grupo mineiro Luna Lunera. O FTB etapa RS tem patrocínio da Petrobras e copatrocínio da Caixa. Consulte a programação completa do festival no site da Liga www.liga.art.br e siga pelo twitter @ftb_rs.
Na quinta e sexta-feira, o Galpão conduziu a plateia gaúcha em uma jornada dentro de si mesma, guiada pelo comovente “Tio Vânia” (confira comentário abaixo). No final de semana, foi a vez de a Cia. de Dança Palácio das Artes propor uma viagem diferente. Se o “Tio Vânia” do Galpão é uma montagem que evita ousar maiores experimentalismos formais, “Coreografia de Cordel” bate pé no campo do pós-dramático, sapateia em cima da narrativa linear e dá de mão na quarta parede.
“Coreografia de Cordel”, que estreou em 2003, é um dos espetáculos mais importantes da Cia. de Dança Palácio das Artes. O ponto de partida vem de convivências que o grupo mineiro teve com comunidades do Interior, especialmente Medina. A escolha foi radical: Medina tem pouco mais de 20 mil habitantes, é uma das tantas cidades do empobrecido Vale do Jequitinhonha, classificada pela Unesco como uma das regiões mais carentes do Mundo. Apartada das benesses capitalistas, Medina ofereceu ao coreógrafo Tuca Pinheiro a oportunidade de colocar em contato a sofisticação da dança contemporânea e a ingenuidade de uma cultura ainda não moldada pelo consumismo.
O mérito de “Coreografia de Cordel” é não seguir a rota confortável de adotar a cultura popular como coitadinha, algo a ser amparado, preservado e defendido. A atitude é a de reconhecer a dificuldade de abraçar essa cultura (o gesto de abraçar, inclusive, é o fecho do espetáculo). Renunciando ao paternalismo, os artistas se deixaram impressionar pelo que viram, ouviram e sentiram, incorporando ainda ao espetáculo o que lhes ficou de saudade do sertão. Este conflito desaguou em uma encenação pós-dramática, que provoca o público permanentemente a descobrir nexo, no que está em cena, constrangido a desenhar em tempo real um mapa do que está assistindo. E não deve ter sido isso que a Cia. de Dança Palácio das Artes sentiu ao entrar em contato com a terra estranha de Medina?
Uma das imagens mais marcantes é justamente uma bailarina de olhos vendados, zanzando no palco: materializando uma cabra-cega estética, ela expressa a impotência do olhar e dos ouvidos urbanos em contato com uma sociedade que nos parece estrangeira em seus gestos contidos, na sua profusa oralidade, na moralidade restritiva. As coreografias vão se desdobrando como em um mostruário de cordel – enfileiradas, consecutivas, aparentemente descosturadas, sutilmente tecendo um retrato amoroso de um conflito. A conformação do espaço cênico – colocando arquibancadas no fundo do palco do Theatro São Pedro – parece um esforço de reproduzir uma das imagens mais marcantes de qualquer cidadezinha do Interior que se preza: a rua principal, onde desfilam os personagens, os carros, as vergonhas e as maravilhas do lugar.
Sucedem-se coreografias, algumas de impressionante técnica. Nos momentos de vínculo mais estreito com Medina, os bailarinos impõem a seus corpos o maneirismo dos animais, outras vezes se explicita a repressão sexual. Também há solos mais coxudos, caracterizando praticamente uma cena, com o bailarino aliando texto e gesto. Outra originalidade de “Coreografia de Cordel” é assumir a oralidade: um microfone ao lado do palco serve de púlpito para os bailarinos. Em alguns momentos, um dos bailarinos articula um discurso quase incompreensível como trilha sonora para a dança, exaltando a musicalidade de um palavrório que parece não dizer nada, mas significa tudo, significa que estamos imersos numa cultura fechada, que se basta, que prefere o círculo ao avanço, que tem medo de abrir a porta (porta que, sintomaticamente, é um dos poucos elementos em cena). O grupo se encarrega ainda de fazer um mea culpa pela invasão que impôs a Medina, explicitando a violência dessa aproximação quando um dos bailarinos “bate” fotos do público, com um flash impertinente.
O grupo é consciente de sua coragem estética e brinca abertamente com o público sobre a dificuldade em uma abordagem mais confortável do retrato multifacetado e aparentemente desconexo que está em cena. No final, sim, é permitida a facilidade da emoção direta e facilmente reconhecível. No escuro, ouve-se Jair Rodrigues cantar os versos da moda de viola “Disparada” (de Theo de Barros e Geraldo Vandré) “Eu venho lá do sertão / E posso não lhe agradar” e “Não canto para lhe enganar”. Como se para deixar ainda mais clara a colisão entre urbano e interiorano, sucedem-se momentos em que o palco é iluminado ora por lanternas de luz azul e fria, ora por focos de luz amarelos como velas ou bicos de luz perdidos numa estradinha erma.
Mas tudo termina em abraços, primeiro entre o elenco, depois entre artistas e público. A Cia. tem a humildade de confessar que a principal lição que aprendeu na expedição a Medina foi a de que o gesto mais fundamental a unir Brasis absolutamente diversos deve ser um simples aperto de mão, um abraço, a expressão física da disponibilidade. Não há sentido em glamourizar o popular – limitemo-nos a reconhecer e respeitar o que nos é alheio, permitamo-nos tão-somente deixar-nos transformar. Uma estratégia que o grupo coloca claramente em cena, ao pendurar 42 panelas acima do palco, e fazer filtrar a luz através dela. O que está em cena não é o rural apropriado pelo urbano, são os indivíduos artistas banhados pelo que experimentaram.
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Ocultar detalhes DE:Andrea Faria PARA:paulo Chamone Mensagem sinalizada Segunda-feira, 4 de Julho de 2011 23:10Corpo da mensagemCha, posta pra nós no blog o comentário do Cordel em Poa. O link é este http://relatomendonca.tumblr.com/
O abraço que vem do Interior
Confira o comentário de “Coreografia de Cordel”, atração do final de semana no Theatro São Pedro. A partir de amanhã, a programação do Festival do Teatro Brasileiro prossegue com “Cortiços”, no palco do Teatro Renascença, criação do grupo mineiro Luna Lunera. O FTB etapa RS tem patrocínio da Petrobras e copatrocínio da Caixa. Consulte a programação completa do festival no site da Liga www.liga.art.br e siga pelo twitter @ftb_rs.
Na quinta e sexta-feira, o Galpão conduziu a plateia gaúcha em uma jornada dentro de si mesma, guiada pelo comovente “Tio Vânia” (confira comentário abaixo). No final de semana, foi a vez de a Cia. de Dança Palácio das Artes propor uma viagem diferente. Se o “Tio Vânia” do Galpão é uma montagem que evita ousar maiores experimentalismos formais, “Coreografia de Cordel” bate pé no campo do pós-dramático, sapateia em cima da narrativa linear e dá de mão na quarta parede.
“Coreografia de Cordel”, que estreou em 2003, é um dos espetáculos mais importantes da Cia. de Dança Palácio das Artes. O ponto de partida vem de convivências que o grupo mineiro teve com comunidades do Interior, especialmente Medina. A escolha foi radical: Medina tem pouco mais de 20 mil habitantes, é uma das tantas cidades do empobrecido Vale do Jequitinhonha, classificada pela Unesco como uma das regiões mais carentes do Mundo. Apartada das benesses capitalistas, Medina ofereceu ao coreógrafo Tuca Pinheiro a oportunidade de colocar em contato a sofisticação da dança contemporânea e a ingenuidade de uma cultura ainda não moldada pelo consumismo.
O mérito de “Coreografia de Cordel” é não seguir a rota confortável de adotar a cultura popular como coitadinha, algo a ser amparado, preservado e defendido. A atitude é a de reconhecer a dificuldade de abraçar essa cultura (o gesto de abraçar, inclusive, é o fecho do espetáculo). Renunciando ao paternalismo, os artistas se deixaram impressionar pelo que viram, ouviram e sentiram, incorporando ainda ao espetáculo o que lhes ficou de saudade do sertão. Este conflito desaguou em uma encenação pós-dramática, que provoca o público permanentemente a descobrir nexo, no que está em cena, constrangido a desenhar em tempo real um mapa do que está assistindo. E não deve ter sido isso que a Cia. de Dança Palácio das Artes sentiu ao entrar em contato com a terra estranha de Medina?
Uma das imagens mais marcantes é justamente uma bailarina de olhos vendados, zanzando no palco: materializando uma cabra-cega estética, ela expressa a impotência do olhar e dos ouvidos urbanos em contato com uma sociedade que nos parece estrangeira em seus gestos contidos, na sua profusa oralidade, na moralidade restritiva. As coreografias vão se desdobrando como em um mostruário de cordel – enfileiradas, consecutivas, aparentemente descosturadas, sutilmente tecendo um retrato amoroso de um conflito. A conformação do espaço cênico – colocando arquibancadas no fundo do palco do Theatro São Pedro – parece um esforço de reproduzir uma das imagens mais marcantes de qualquer cidadezinha do Interior que se preza: a rua principal, onde desfilam os personagens, os carros, as vergonhas e as maravilhas do lugar.
Sucedem-se coreografias, algumas de impressionante técnica. Nos momentos de vínculo mais estreito com Medina, os bailarinos impõem a seus corpos o maneirismo dos animais, outras vezes se explicita a repressão sexual. Também há solos mais coxudos, caracterizando praticamente uma cena, com o bailarino aliando texto e gesto. Outra originalidade de “Coreografia de Cordel” é assumir a oralidade: um microfone ao lado do palco serve de púlpito para os bailarinos. Em alguns momentos, um dos bailarinos articula um discurso quase incompreensível como trilha sonora para a dança, exaltando a musicalidade de um palavrório que parece não dizer nada, mas significa tudo, significa que estamos imersos numa cultura fechada, que se basta, que prefere o círculo ao avanço, que tem medo de abrir a porta (porta que, sintomaticamente, é um dos poucos elementos em cena). O grupo se encarrega ainda de fazer um mea culpa pela invasão que impôs a Medina, explicitando a violência dessa aproximação quando um dos bailarinos “bate” fotos do público, com um flash impertinente.
O grupo é consciente de sua coragem estética e brinca abertamente com o público sobre a dificuldade em uma abordagem mais confortável do retrato multifacetado e aparentemente desconexo que está em cena. No final, sim, é permitida a facilidade da emoção direta e facilmente reconhecível. No escuro, ouve-se Jair Rodrigues cantar os versos da moda de viola “Disparada” (de Theo de Barros e Geraldo Vandré) “Eu venho lá do sertão / E posso não lhe agradar” e “Não canto para lhe enganar”. Como se para deixar ainda mais clara a colisão entre urbano e interiorano, sucedem-se momentos em que o palco é iluminado ora por lanternas de luz azul e fria, ora por focos de luz amarelos como velas ou bicos de luz perdidos numa estradinha erma.
Mas tudo termina em abraços, primeiro entre o elenco, depois entre artistas e público. A Cia. tem a humildade de confessar que a principal lição que aprendeu na expedição a Medina foi a de que o gesto mais fundamental a unir Brasis absolutamente diversos deve ser um simples aperto de mão, um abraço, a expressão física da disponibilidade. Não há sentido em glamourizar o popular – limitemo-nos a reconhecer e respeitar o que nos é alheio, permitamo-nos tão-somente deixar-nos transformar. Uma estratégia que o grupo coloca claramente em cena, ao pendurar 42 panelas acima do palco, e fazer filtrar a luz através dela. O que está em cena não é o rural apropriado pelo urbano, são os indivíduos artistas banhados pelo que experimentaram.
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TUDO QUE SE TORNA UM
Lição de férias: uma impressão do PRESENTE
1- Andrea Faria
Para mim, o presente é o que está impregnado em mim, independente se está acontecendo agora, ou aconteceu ontem, há um ano, uma década ou mais. Se eu ainda o sinto, ele é presente e presentificado fica até que eu o descarte e deixe passar. Pois pra mim, mais do que um instante-agora do tempo, ou uma entidade abstrata à qual convencionalmente damos esse nome, o presente marca um estar em mim. Não tem bordas, não tem delimitação. É o “é” que insiste em ficar e ficar e ficar. O que comi hoje de manhã virou passado. Mal me lembro. Mas o que eu senti quando toquei minha filha pela primeira vez, ou aquele abraço ou dor que não posso esquecer estão comigo e os resgato quando quiser.
O passado é o que escapou. Fugiu. De vez ou não. Pode ter sido deixado tomando pó, ou ter se recolhido em alguma caixa ou gaveta. Pode ter ficado meio no canto, sorrateiro, esperando uma brechinha para dar o ar de sua graça. Ou sumir pra nunca mais. Às vezes ronda querendo entrar e posso abrir-lhe a porta, mas vem mais como um hóspede, raramente como anfitrião. E, a menos que convidado para ficar, retornará como coadjuvante, lembrança, sombra, imprecisa, borrada ou mesmo inventada, sujeita às nossas artimanhas de ficcionalizar o que passou para lhe tirar o amarelado e dar-lhe cor para trazer à tona.
E o futuro? O futuro é o que está sempre por... por vir, por se materializar, por se fazer, por acontecer. Impegável. Estrada sem fim. Está sempre a ser conquistado, como um amante difícil, escorregadio, ora amedrontador, ora promissor. Projeções de vontades, expectativas, promessas de mudanças, de desejos, de “se Deus quiser”es. Mas quando seu tempo chegar, se for bem vindo, haverá de ficar e ocupar a casa. Pode ficar de vez e se instaurar em permanência. Ou ir se desbotando até diluir-se e passar. Se não for bem vindo, um passinho atrás, por favor!
2- Ariane de Freitas
para mim, o Presente é Agora!
É sempre agora.
É como se Hoje eu pudesse fazer algo q nao posso fazer no passado nem no futuro.
Sendo assim, o agora: carrega uma potência de que tudo pode acontecer. Onde muitas coisas sao possiveis, onde meus desejos e sonhos tem uma chance de se realizar.
Por isso esse agora está carregado de energia de possibilidade, de presença e de força. Como se tudo que eu gostaria que acontecesse tivesse a chance de se tornar Ação.
E isso é tão real que nesse momento, q acredito que sou capaz de fazer qualquer coisa. É assim quando eu crio.
Sei q há muitos sonhos e ilusões nesta fala mas preciso acreditar q Algo tem a chance de acontecer. por isso gosto de ir pra prática para que eu descubra esse como fazer, q vai surgindo aos poucos.
Quando crio um esboço de dança, faço num agora, esse último solo (da mulher selvagem q chamo de -Volver) era a minha verdade naquele momento.
e ainda tenho muita vontade de dança-lo no espetáculo.
Quando penso no passado, sei que ele é o que faz possivel o Agora como se apresenta.Tudo que é hoje, é pq existiu "ontem'
Enfim, preciso vivenciar no agora para saber o que será no futuro, ou seja, para projetar e planejar o amanha.
(Ariane tem imagens que seguem em outro doc.)
3- Beatriz Kuguimiya
O presente real é aquele instante unico, que quando vc pensa ele ja se foi...
O mundo hoje (acredito que seja esse o presente que vc se refere), e egoista, individualista, seco, rapido, de pouco contato fisico, materialista, tecnologico, exaustivo. Precisamos ser "Super Homens ou Super Mulheres".
O meu estado "presente" (que comecou a 3 anos atras e ainda insiste) e o da maternidade. Um pensar voltado para como inserir um novo ser nesse mundo atual.
4- Paulo Chamone 1
Um texto grande de Ricardo Ros (A linha do tempo) a ser lido ao vivo
5- Paulo Chamone 2
MOVIMENTO - o presente é sem sombra de dúvidas a passagem, transformação, o inesperado. Sentado em baixo de um arvore vejo que não existe presente.
Nostalgia é dôr, saudade é dôr e, querer fixar um instante, também só pode resultar em dôr.
6- Dadier Aguilera
infelizmente nesse tempo de ferias , nao conseguí fazer uma sintesis do que seria realmente o meu tempo presente,tudo me parecia repetitivo e dejavi, o mais un cliche!!!
Mais tenho fé no encontro real, no confronto , no olho no olho, talvez ele se revele com mais clareza no futuro, e eu descubra que meu presente está, compartilhando a vida , e Arte, com aqueles que queren mudar a rotina a cada instante....
7- Fernando Cordeiro
Confesso que o estudo de Filosofia tem me silenciado cada vez mais, mas ai
vai o meu esforço em dizer sobre o Presente:
Me parece que o presente é aquilo que não conseguimos registrar, quando
registrado, ja virou passado; intangivel, angustiante, cada segundo incapturavel, um vazio entre o passado e o futuro que o homem inventou para ser preenchido e eternamente superado, só compreendemos o seu Ser olhando para trás, para aquilo que ja foi. O presente, de fato, é algo que perdemos: um continuo sem fim em que não temos consciencia do que ja foi e nem visão do que sera.
8- Ivan Sodré 1
O presente é este vazio, onde nada supre e preenche - tornando-nos buracos sem fundo.
As pessoas por não conseguirem acessar sua essência e, por conseguinte, se afastando cada vez mais dela acabam reproduzindo e se cristalizando em seus automatismos, em seus padrões comportamentais reativos.
O ser humano se afasta do envolvimento, porque dá trabalho. Requer colocar o seu.
Ajustar-se física,emocional, mental e espiritualmente a cada situação, realidade, cada circunstância que lhe se apresenta.
E, nós todos da Cia estamos vivenciando isto.
O passado, não tem mais vez, ele não cabe. Padrões comportamentais automatizados, formas pensamento reativas, emotividades e sentimenatlismos não cabem mais.
Viver o presente. Envolver-se com o presente
E, se colocar para o futuro deixando que ele se mostre, fale.
Para mim as quatro frases máximaas da vida que vc pontua são este antes, estes estímulos primeiros, primordiais.
9- Ivan Sodré 2
Texto: SOBRE A TRANSITORIEDADE de Sigmund Freud (já enviei pra todos por e-mail e o releremos ao vivo)
10- Ivan Sodré 3
Texto: DIVERSIDADE de Hannah Arendt (já enviei pra todos por e-mail e o releremos ao vivo)
11- Lina Lapertosa
Nestas férias, eu vivi o presente intensamente! Pra mim, presente é ação.Fiz coisas pra burro!Atendi consultório, arrumei armários, resolvi problemas de banco, dormi de tarde,nadei, fiz aulas de gyro, fiz musculação,fiz workshop de improvisação com Marise, tratei de dentes, adubei meus vasos e a mim também. Isso tudo me fez muito bem. Não quis ficar pensando muito não,vivi. Pra viver o presente, precisa cor-agem: agir com o coração. Agora, nas vésperas de voltarmos a trabalhar, é que comecei a pensar sobre.
Pra mim, presente, passado e futuro estão sempre ligados.As coisas que faço no presente, estão baseadas no passado e voltadas para o futuro.Tenho algumas frases (daquelas que te falei que poderiam ser projetadas na parede branca, em cima das portas de entrada do teatro):
" Sou passado, presente , futuro-três pessoas distintas reunidas numa só" Francisco Azevedo
"Se esqueces o futuro, perdes o passado" Muriel Burbery
"Eu não quero um futuro que quebre os laços com o passado" George Eliot
"O futuro entra em nós, para transformar-se em nós, muito antes de acontecer" Rainier Maria Rilke
"Hoje é apenas por onde o passado começa a jorrar" Raul Seixas
"Quem viu o presente, viu todas as coisas:as que aconteceram no passado insondável e as que acontecerão no futuro" Jorge Luiz Borges
"O futuro influencia o presente tanto quanto o passado" Nietzche
Estou anexando um Mario Quintana, sobre o presente.
12- Lucas Medeiros 1
Olhando para fora, um tempo de chuva que parece perdurar de forma lânguida e contínua. A chuva é densa e seu ritmo parece inovar a cada momento. Sinto um aconchego, o prazer do afago e do acolhimento mesmo sem companhia. É delicioso esse presente. É sem pressa, é uma degustação do ócio... ler uma revista e comer sem culpa...
A revista... nela, uma matéria sobre os moradores de rua. Eu só comprei essa Sociologia por essa matéria que está na capa. Alguns minutos antes de comprá-la eu estava no ônibus, a caminho de uma boate e vi uma mendiga na rua. Ela estava sentada no canteiro central de uma avenida, perto do semáforo. Em meus pensamentos, tentei trocar de lugar com ela, tentei sentir o presente que ela sentia ( e que já nem sei se ela o percebia como presente, devido a ausência de perspectivas do olhar daquela mulher que parecia se perder em qualquer outro tempo). Me imaginei num silêncio contínuo, e tentei anular quaisquer interferências musicais, a que já estamos tão acostumados.. deixei apenas vultos sonoros, vultos luminosos,... vultos! Nada identificado. Pessoas , carros, tudo passando diante de mim sem qualquer relação e com muita fugacidade. Percebi que não é possível um diálogo tranqüilo com o presente naquelas circunstâncias. O único diálogo que poderia ser travado com o presente daquele momento se limitaria às questões de sobrevivência. Imagino os fins de noite,e as perguntas que atordoam essas cabeças :” como me garantir amanhã? Como comer amanhã?”
Eita presente difícil de ser enfrentado! Viver esse dilema todos os dias deve ser a principal causa do envolvimento com o crime. E ver todos os dias pessoas desfilando diante de você com roupas caras, tênis bonitos, comendo coisas boas e frescas deve ser muito difícil quando não se tem nem lugar para dormir... a “inveja” deve corroer essas pessoas..
Outro dia, assistindo MGTV eu fiquei intrigado com a resposta que um morador de rua deu à pergunta da repórter. Ela perguntou: “-Tudo o que você tem está dentro desse armariozinho?” e ele respondeu: “-Não. Tudo o que eu tenho está no meu coração, que é Deus.” Nooossa.. rsrs aquilo me arrasou completamente...
Portanto, o meu presente é esse: como atuar nessa sociedade sendo solidário e socialmente “viável”? Como intervir de maneira eficaz no presente desses moradores de rua?
Minha dança parece tão restrita, tão fechada, bem como uma ostra a guardar sua pérola...
e sempre me volta o poema de Antonio Cícero, “GUARDAR”:
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que de um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar .
13- Lucas Medeiros 2
estava indo dormir mas não consegui sossegar.. estava pensando nesse espaço cérebro...
tem coisas tão óbvias q deixamos q elas passem por nós desapercebidas.. O cérebro nada mais é um lugar de armazenamento e de vivência do presente/passado. Todas as informações "entram" em nós através das diversas portas com as quais percebemos o mundo, por exemplo, os sentidos. Há portas infecháveis . Há outras q a muito custo conseguimos abrir. Há portas desconhecidas. Há portas com "vida própria", portas essas q não conseguimos controlar o seu fluxo de entrada e saída. Já q o cérebro(palco) é o lugar onde entraremos todos e vamos ficar até o término do seu desenvolvimento, acho que ele deveria ser um lugar que tende ao infinito e que é totalmente envolvido por essas portas de contato com o mundo exterior.. Foi essa idéia q tentei desenvolver nesse esboço de palco q está anexado ao e-mail. Ele possui portas, marcos e formas "bem clean" em várias profundidades.
Estava indo a fundo nessa idéia de porta (portas essas que já se abriram ao público no "se eu pudesse entrar na sua vida" e que vão culminar nesse cérebro) e cheguei a conclusão que devemos ainda acolher-lhos nesse cérebro com um palco q se não se limita ao proscenium mas que vai além.Mas, não sei como materializar essa última parte da idéia...
14- Lucas Medeiros 3
Pela manhã lembrei que sou artista
Foi hoje, pela manhã, que me lembrei : fui separado para ser artista.
Lembrei de quando meu corpo foi consagrado como "meio de circulação".
Lembrei de quando vim a ser mais do que um corpo de possibilidades.
Havia esquecido...
O que me fez esquecer?
(...) - Não sei.
Mas lembrei a tempo [talvez o tempo!]
- a tempo de não me perder em mim mesmo.
Meu coração veio a queimar-se e inundar-se de novo,
mesmo que paradoxalmente.
Meu corpo se percebeu um tanto camaleão,
um tanto possível de ser, até mesmo, o impossível.
Mais do que nunca, me vi hábil a fazer mais do que 10 piruetas
- me vi hábil a ser e a não ser, me vi hábil a alcançar pessoas!
Putz... lembrei daquela cena, em que meu corpo estava estendido no chão e
um óleo perfumando era derramado pela minha cabeça e, simultaneamente, lágrimas
[muitas lágrimas...] escorriam pela minha face. Ali me vi capaz, me vi frágil, me vi
adornado, me vi totalmente nu. A partir daquele momento percebi que por mais exposto
que estivesse, menos me envergonharia de ser humano. A partir dali me dei conta
de que a beleza depende apenas de uma forma ousada de enxergar as coisas.
Comecei a aprender o que era ser artista.
Esquecemo-nos em que consiste a missão de ser artista.
Ser artista não tem hora, não tem lugar.
É angústia eterna.
Angústia de conhecer,
de descobrir,
de se permitir e de ACREDITAR.
O corpo do artista está para além de qualquer julgamento. O corpo do artista já
morreu para a lei dos homens e nasceu para a sua própria lei, para a arte. Isso consiste
em ter livre arbítrio, em transitar livremente, em não ser titulado. Devido a isso, não
existe moralidade ou imoralidade, santidade ou leviandade, humanidade ou divindade.
O corpo artista é apenas uma massa disforme que se configura para falar.
Ser artista é ter a habilidade de fazer o seu corpo jorrar poesia,
ou melhor, fazer todo ele se transfigurar em poesia.
Junto com o conteúdo desse texto* me veio a imagem dele:
Corpos nus somente com um pano retangular no quadril, deitados com as suas cabeças e pés voltados para as coxias, dipostos aleatoriamente, com um bloquinho baixo de acrílico sob os seus quadris (q são o centro de força e de vitalidade do corpo) e pingos d'água gotejando cobre as suas cabeças. O espaço estaria dominado pela luz baixa e com um tom de azul bem leve, e iluminação clara sobre esses corpos. seria como um renovo do corpo artista, um frescor para a mente e descanco para os membros. Ai.. acho q seria lindooo.
15- Mariangela Caramati
O futuro ainda não existe e, quando chegar, deixará de ser futuro, para ser presente.
O passado já deixou de existir e, quando existiu ainda não era passado, mas sim, presente.
Misto de retomada do passado e antecipação do futuro. Possibilidade de realizar uma união consciente “entre” o que já foi e o que é e será, de recomeçar, de reconstruir (desconstrução /construção ).
Duração que não cessa de se destruir a si mesma, de inventar …
Fugaz e permanente - Transitoriedade
O único momento que realmente existe.. É no presente que devemos investir nossa ação, meio pelo qual se constrói, desmobiliza, se conjuga.
Cada novo fato, cada nova ocorrência em nossa vida, é um novo momento presente, que precisa ser vivido e observado em toda sua plenitude , pois tudo o que nos acontece tem uma relação com o que somos, tudo o que fazemos tem uma relação com o que nos tornamos.
Quando deixamos de nos focar no presente, permitindo que nossas idéias e pensamentos se apresentem de forma mecânica, reagimos. Perdemos a oportunidade de criar.
Indecidibilidade , inacabado , indefinido , trânsito, meio, entre.
Campo de inúmeras possibilidades, desafio.
O Presente não começa nem conclui, ele se encontra no meio, “entre”. Se constitui no movimento que ele mesmo produz. O momento do movimento, efêmero /duradouro.
ENTRE (Régis Bonvicino)
Entre motores e ruidos
(pio dissonante e seco estilhaço)
o vôo do pássaro
cria uma nova hipótese
de espaço
16- Peter Lavratti
tenho tido muitas reflexões sim, com relação ao trabalho e com a vida pessoal. Só de resumo estou a 4 dias sem fumar e acho que em breve me tornarei um ex-fumante.
Com relação ao trabalho me intriga muito a imagem do "meio" , do "entre". Minhas reflexões estão indo mais neste sentido. O recheio sabe? Ex: bem simples: um sonho (o doce classico de padaria) só é sonho porque tem o recheio e as duas camadas de massa que o configuram. O recheio sozinho, não da conta do recado, nem as camadas... Tenho imaginado o presente deste jeito, um tanto óbvio, mas é o que vejo no momento....
E em estratégias de fisicalizar isso. (algumas são até coisas que nós já experimentamos). Enfim....devaneios
17- Cristina Rangel 1
Tava aqui, com minhas caraminholas... pra variar,hhhh...
E pensando no que o Rodrigo falou quanto ao conceito 'presente' ser muito amplo e pensei, pelo contrário, ele abre para várias possibilidades o que na verdade é o verdadeiro motivo de se escolher um conceito. Algo que por si só possa ser interpretado e materializado de formas bem diferentes. Mas que sejam identificaveis como vindas de uma mesma raiz.
Presente envolve o passado e futuro... mas tb é um presente. Presente de 40 anos para uma cia que trabalhou arduamente para realizar para o outro, mas não para si mesma.
Um presente, o que você gostaria de ganhar aos 40 anos... um presente!
Tem tantas conotações, e ao mesmo tempo liberta...
Não sei se vc está me entendendo, mas de qualquer maneira é mais uma das intuições... não penso ser a dona de verdades mas de percepções totalmente intuitivas.
Qual o seu presente? Você escolhe? Seria lindo dar presentes uns pros outros( Me dá um oito aÍ?)
Acho lindo esse "conceito",hhh
18- Cristina Rangel 2
Texto: ENVELHECENDO NA DANÇA de própria autoria (todos conhecem, talvez a ser reutilizado)
19- Sonia Pedroso
"...não há estado de alma, por mais simples que seja, que não mude a cada instante, pois não há consciência sem memória, não há continuação de um estado sem adição, ao sentimento presente, da lembrança de momentos passados. Nisto consiste a duração. A duração interior é a vida contínua de uma memória que prolonga o passado no presente, seja porque o presente encerra distintamente a imagem incessantemente crescente do passado, seja, mais ainda porque testemunha a carga sempre mais pesada que arrastamos atrás de nós, à medida que envelhecemos. Sem esta sobrevivência do passado no presente, não haveria duração, mas somente instantaneidade". Henry Bergson
"A água que você toca dos rios é a última daquela que se foi e a primeira daquela que vem. Assim é o tempo presente". Leonardo da Vinci
Imagens
sobre as imagens que aparecerem tem me vindo imagens de escadas feitas de madeiras c 22 degraus e que fosse móvel, e varias outras escadas com 4, 8, 10 degraus, onde paralelamente usariamos estas escadas relacionadas c o tempo ainda n sei bem foi apenas um flasch que passou na minha cabeça
Lição de férias: uma impressão do PRESENTE
1- Andrea Faria
Para mim, o presente é o que está impregnado em mim, independente se está acontecendo agora, ou aconteceu ontem, há um ano, uma década ou mais. Se eu ainda o sinto, ele é presente e presentificado fica até que eu o descarte e deixe passar. Pois pra mim, mais do que um instante-agora do tempo, ou uma entidade abstrata à qual convencionalmente damos esse nome, o presente marca um estar em mim. Não tem bordas, não tem delimitação. É o “é” que insiste em ficar e ficar e ficar. O que comi hoje de manhã virou passado. Mal me lembro. Mas o que eu senti quando toquei minha filha pela primeira vez, ou aquele abraço ou dor que não posso esquecer estão comigo e os resgato quando quiser.
O passado é o que escapou. Fugiu. De vez ou não. Pode ter sido deixado tomando pó, ou ter se recolhido em alguma caixa ou gaveta. Pode ter ficado meio no canto, sorrateiro, esperando uma brechinha para dar o ar de sua graça. Ou sumir pra nunca mais. Às vezes ronda querendo entrar e posso abrir-lhe a porta, mas vem mais como um hóspede, raramente como anfitrião. E, a menos que convidado para ficar, retornará como coadjuvante, lembrança, sombra, imprecisa, borrada ou mesmo inventada, sujeita às nossas artimanhas de ficcionalizar o que passou para lhe tirar o amarelado e dar-lhe cor para trazer à tona.
E o futuro? O futuro é o que está sempre por... por vir, por se materializar, por se fazer, por acontecer. Impegável. Estrada sem fim. Está sempre a ser conquistado, como um amante difícil, escorregadio, ora amedrontador, ora promissor. Projeções de vontades, expectativas, promessas de mudanças, de desejos, de “se Deus quiser”es. Mas quando seu tempo chegar, se for bem vindo, haverá de ficar e ocupar a casa. Pode ficar de vez e se instaurar em permanência. Ou ir se desbotando até diluir-se e passar. Se não for bem vindo, um passinho atrás, por favor!
2- Ariane de Freitas
para mim, o Presente é Agora!
É sempre agora.
É como se Hoje eu pudesse fazer algo q nao posso fazer no passado nem no futuro.
Sendo assim, o agora: carrega uma potência de que tudo pode acontecer. Onde muitas coisas sao possiveis, onde meus desejos e sonhos tem uma chance de se realizar.
Por isso esse agora está carregado de energia de possibilidade, de presença e de força. Como se tudo que eu gostaria que acontecesse tivesse a chance de se tornar Ação.
E isso é tão real que nesse momento, q acredito que sou capaz de fazer qualquer coisa. É assim quando eu crio.
Sei q há muitos sonhos e ilusões nesta fala mas preciso acreditar q Algo tem a chance de acontecer. por isso gosto de ir pra prática para que eu descubra esse como fazer, q vai surgindo aos poucos.
Quando crio um esboço de dança, faço num agora, esse último solo (da mulher selvagem q chamo de -Volver) era a minha verdade naquele momento.
e ainda tenho muita vontade de dança-lo no espetáculo.
Quando penso no passado, sei que ele é o que faz possivel o Agora como se apresenta.Tudo que é hoje, é pq existiu "ontem'
Enfim, preciso vivenciar no agora para saber o que será no futuro, ou seja, para projetar e planejar o amanha.
(Ariane tem imagens que seguem em outro doc.)
3- Beatriz Kuguimiya
O presente real é aquele instante unico, que quando vc pensa ele ja se foi...
O mundo hoje (acredito que seja esse o presente que vc se refere), e egoista, individualista, seco, rapido, de pouco contato fisico, materialista, tecnologico, exaustivo. Precisamos ser "Super Homens ou Super Mulheres".
O meu estado "presente" (que comecou a 3 anos atras e ainda insiste) e o da maternidade. Um pensar voltado para como inserir um novo ser nesse mundo atual.
4- Paulo Chamone 1
Um texto grande de Ricardo Ros (A linha do tempo) a ser lido ao vivo
5- Paulo Chamone 2
MOVIMENTO - o presente é sem sombra de dúvidas a passagem, transformação, o inesperado. Sentado em baixo de um arvore vejo que não existe presente.
Nostalgia é dôr, saudade é dôr e, querer fixar um instante, também só pode resultar em dôr.
6- Dadier Aguilera
infelizmente nesse tempo de ferias , nao conseguí fazer uma sintesis do que seria realmente o meu tempo presente,tudo me parecia repetitivo e dejavi, o mais un cliche!!!
Mais tenho fé no encontro real, no confronto , no olho no olho, talvez ele se revele com mais clareza no futuro, e eu descubra que meu presente está, compartilhando a vida , e Arte, com aqueles que queren mudar a rotina a cada instante....
7- Fernando Cordeiro
Confesso que o estudo de Filosofia tem me silenciado cada vez mais, mas ai
vai o meu esforço em dizer sobre o Presente:
Me parece que o presente é aquilo que não conseguimos registrar, quando
registrado, ja virou passado; intangivel, angustiante, cada segundo incapturavel, um vazio entre o passado e o futuro que o homem inventou para ser preenchido e eternamente superado, só compreendemos o seu Ser olhando para trás, para aquilo que ja foi. O presente, de fato, é algo que perdemos: um continuo sem fim em que não temos consciencia do que ja foi e nem visão do que sera.
8- Ivan Sodré 1
O presente é este vazio, onde nada supre e preenche - tornando-nos buracos sem fundo.
As pessoas por não conseguirem acessar sua essência e, por conseguinte, se afastando cada vez mais dela acabam reproduzindo e se cristalizando em seus automatismos, em seus padrões comportamentais reativos.
O ser humano se afasta do envolvimento, porque dá trabalho. Requer colocar o seu.
Ajustar-se física,emocional, mental e espiritualmente a cada situação, realidade, cada circunstância que lhe se apresenta.
E, nós todos da Cia estamos vivenciando isto.
O passado, não tem mais vez, ele não cabe. Padrões comportamentais automatizados, formas pensamento reativas, emotividades e sentimenatlismos não cabem mais.
Viver o presente. Envolver-se com o presente
E, se colocar para o futuro deixando que ele se mostre, fale.
Para mim as quatro frases máximaas da vida que vc pontua são este antes, estes estímulos primeiros, primordiais.
9- Ivan Sodré 2
Texto: SOBRE A TRANSITORIEDADE de Sigmund Freud (já enviei pra todos por e-mail e o releremos ao vivo)
10- Ivan Sodré 3
Texto: DIVERSIDADE de Hannah Arendt (já enviei pra todos por e-mail e o releremos ao vivo)
11- Lina Lapertosa
Nestas férias, eu vivi o presente intensamente! Pra mim, presente é ação.Fiz coisas pra burro!Atendi consultório, arrumei armários, resolvi problemas de banco, dormi de tarde,nadei, fiz aulas de gyro, fiz musculação,fiz workshop de improvisação com Marise, tratei de dentes, adubei meus vasos e a mim também. Isso tudo me fez muito bem. Não quis ficar pensando muito não,vivi. Pra viver o presente, precisa cor-agem: agir com o coração. Agora, nas vésperas de voltarmos a trabalhar, é que comecei a pensar sobre.
Pra mim, presente, passado e futuro estão sempre ligados.As coisas que faço no presente, estão baseadas no passado e voltadas para o futuro.Tenho algumas frases (daquelas que te falei que poderiam ser projetadas na parede branca, em cima das portas de entrada do teatro):
" Sou passado, presente , futuro-três pessoas distintas reunidas numa só" Francisco Azevedo
"Se esqueces o futuro, perdes o passado" Muriel Burbery
"Eu não quero um futuro que quebre os laços com o passado" George Eliot
"O futuro entra em nós, para transformar-se em nós, muito antes de acontecer" Rainier Maria Rilke
"Hoje é apenas por onde o passado começa a jorrar" Raul Seixas
"Quem viu o presente, viu todas as coisas:as que aconteceram no passado insondável e as que acontecerão no futuro" Jorge Luiz Borges
"O futuro influencia o presente tanto quanto o passado" Nietzche
Estou anexando um Mario Quintana, sobre o presente.
12- Lucas Medeiros 1
Olhando para fora, um tempo de chuva que parece perdurar de forma lânguida e contínua. A chuva é densa e seu ritmo parece inovar a cada momento. Sinto um aconchego, o prazer do afago e do acolhimento mesmo sem companhia. É delicioso esse presente. É sem pressa, é uma degustação do ócio... ler uma revista e comer sem culpa...
A revista... nela, uma matéria sobre os moradores de rua. Eu só comprei essa Sociologia por essa matéria que está na capa. Alguns minutos antes de comprá-la eu estava no ônibus, a caminho de uma boate e vi uma mendiga na rua. Ela estava sentada no canteiro central de uma avenida, perto do semáforo. Em meus pensamentos, tentei trocar de lugar com ela, tentei sentir o presente que ela sentia ( e que já nem sei se ela o percebia como presente, devido a ausência de perspectivas do olhar daquela mulher que parecia se perder em qualquer outro tempo). Me imaginei num silêncio contínuo, e tentei anular quaisquer interferências musicais, a que já estamos tão acostumados.. deixei apenas vultos sonoros, vultos luminosos,... vultos! Nada identificado. Pessoas , carros, tudo passando diante de mim sem qualquer relação e com muita fugacidade. Percebi que não é possível um diálogo tranqüilo com o presente naquelas circunstâncias. O único diálogo que poderia ser travado com o presente daquele momento se limitaria às questões de sobrevivência. Imagino os fins de noite,e as perguntas que atordoam essas cabeças :” como me garantir amanhã? Como comer amanhã?”
Eita presente difícil de ser enfrentado! Viver esse dilema todos os dias deve ser a principal causa do envolvimento com o crime. E ver todos os dias pessoas desfilando diante de você com roupas caras, tênis bonitos, comendo coisas boas e frescas deve ser muito difícil quando não se tem nem lugar para dormir... a “inveja” deve corroer essas pessoas..
Outro dia, assistindo MGTV eu fiquei intrigado com a resposta que um morador de rua deu à pergunta da repórter. Ela perguntou: “-Tudo o que você tem está dentro desse armariozinho?” e ele respondeu: “-Não. Tudo o que eu tenho está no meu coração, que é Deus.” Nooossa.. rsrs aquilo me arrasou completamente...
Portanto, o meu presente é esse: como atuar nessa sociedade sendo solidário e socialmente “viável”? Como intervir de maneira eficaz no presente desses moradores de rua?
Minha dança parece tão restrita, tão fechada, bem como uma ostra a guardar sua pérola...
e sempre me volta o poema de Antonio Cícero, “GUARDAR”:
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que de um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar .
13- Lucas Medeiros 2
estava indo dormir mas não consegui sossegar.. estava pensando nesse espaço cérebro...
tem coisas tão óbvias q deixamos q elas passem por nós desapercebidas.. O cérebro nada mais é um lugar de armazenamento e de vivência do presente/passado. Todas as informações "entram" em nós através das diversas portas com as quais percebemos o mundo, por exemplo, os sentidos. Há portas infecháveis . Há outras q a muito custo conseguimos abrir. Há portas desconhecidas. Há portas com "vida própria", portas essas q não conseguimos controlar o seu fluxo de entrada e saída. Já q o cérebro(palco) é o lugar onde entraremos todos e vamos ficar até o término do seu desenvolvimento, acho que ele deveria ser um lugar que tende ao infinito e que é totalmente envolvido por essas portas de contato com o mundo exterior.. Foi essa idéia q tentei desenvolver nesse esboço de palco q está anexado ao e-mail. Ele possui portas, marcos e formas "bem clean" em várias profundidades.
Estava indo a fundo nessa idéia de porta (portas essas que já se abriram ao público no "se eu pudesse entrar na sua vida" e que vão culminar nesse cérebro) e cheguei a conclusão que devemos ainda acolher-lhos nesse cérebro com um palco q se não se limita ao proscenium mas que vai além.Mas, não sei como materializar essa última parte da idéia...
14- Lucas Medeiros 3
Pela manhã lembrei que sou artista
Foi hoje, pela manhã, que me lembrei : fui separado para ser artista.
Lembrei de quando meu corpo foi consagrado como "meio de circulação".
Lembrei de quando vim a ser mais do que um corpo de possibilidades.
Havia esquecido...
O que me fez esquecer?
(...) - Não sei.
Mas lembrei a tempo [talvez o tempo!]
- a tempo de não me perder em mim mesmo.
Meu coração veio a queimar-se e inundar-se de novo,
mesmo que paradoxalmente.
Meu corpo se percebeu um tanto camaleão,
um tanto possível de ser, até mesmo, o impossível.
Mais do que nunca, me vi hábil a fazer mais do que 10 piruetas
- me vi hábil a ser e a não ser, me vi hábil a alcançar pessoas!
Putz... lembrei daquela cena, em que meu corpo estava estendido no chão e
um óleo perfumando era derramado pela minha cabeça e, simultaneamente, lágrimas
[muitas lágrimas...] escorriam pela minha face. Ali me vi capaz, me vi frágil, me vi
adornado, me vi totalmente nu. A partir daquele momento percebi que por mais exposto
que estivesse, menos me envergonharia de ser humano. A partir dali me dei conta
de que a beleza depende apenas de uma forma ousada de enxergar as coisas.
Comecei a aprender o que era ser artista.
Esquecemo-nos em que consiste a missão de ser artista.
Ser artista não tem hora, não tem lugar.
É angústia eterna.
Angústia de conhecer,
de descobrir,
de se permitir e de ACREDITAR.
O corpo do artista está para além de qualquer julgamento. O corpo do artista já
morreu para a lei dos homens e nasceu para a sua própria lei, para a arte. Isso consiste
em ter livre arbítrio, em transitar livremente, em não ser titulado. Devido a isso, não
existe moralidade ou imoralidade, santidade ou leviandade, humanidade ou divindade.
O corpo artista é apenas uma massa disforme que se configura para falar.
Ser artista é ter a habilidade de fazer o seu corpo jorrar poesia,
ou melhor, fazer todo ele se transfigurar em poesia.
Junto com o conteúdo desse texto* me veio a imagem dele:
Corpos nus somente com um pano retangular no quadril, deitados com as suas cabeças e pés voltados para as coxias, dipostos aleatoriamente, com um bloquinho baixo de acrílico sob os seus quadris (q são o centro de força e de vitalidade do corpo) e pingos d'água gotejando cobre as suas cabeças. O espaço estaria dominado pela luz baixa e com um tom de azul bem leve, e iluminação clara sobre esses corpos. seria como um renovo do corpo artista, um frescor para a mente e descanco para os membros. Ai.. acho q seria lindooo.
15- Mariangela Caramati
O futuro ainda não existe e, quando chegar, deixará de ser futuro, para ser presente.
O passado já deixou de existir e, quando existiu ainda não era passado, mas sim, presente.
Misto de retomada do passado e antecipação do futuro. Possibilidade de realizar uma união consciente “entre” o que já foi e o que é e será, de recomeçar, de reconstruir (desconstrução /construção ).
Duração que não cessa de se destruir a si mesma, de inventar …
Fugaz e permanente - Transitoriedade
O único momento que realmente existe.. É no presente que devemos investir nossa ação, meio pelo qual se constrói, desmobiliza, se conjuga.
Cada novo fato, cada nova ocorrência em nossa vida, é um novo momento presente, que precisa ser vivido e observado em toda sua plenitude , pois tudo o que nos acontece tem uma relação com o que somos, tudo o que fazemos tem uma relação com o que nos tornamos.
Quando deixamos de nos focar no presente, permitindo que nossas idéias e pensamentos se apresentem de forma mecânica, reagimos. Perdemos a oportunidade de criar.
Indecidibilidade , inacabado , indefinido , trânsito, meio, entre.
Campo de inúmeras possibilidades, desafio.
O Presente não começa nem conclui, ele se encontra no meio, “entre”. Se constitui no movimento que ele mesmo produz. O momento do movimento, efêmero /duradouro.
ENTRE (Régis Bonvicino)
Entre motores e ruidos
(pio dissonante e seco estilhaço)
o vôo do pássaro
cria uma nova hipótese
de espaço
16- Peter Lavratti
tenho tido muitas reflexões sim, com relação ao trabalho e com a vida pessoal. Só de resumo estou a 4 dias sem fumar e acho que em breve me tornarei um ex-fumante.
Com relação ao trabalho me intriga muito a imagem do "meio" , do "entre". Minhas reflexões estão indo mais neste sentido. O recheio sabe? Ex: bem simples: um sonho (o doce classico de padaria) só é sonho porque tem o recheio e as duas camadas de massa que o configuram. O recheio sozinho, não da conta do recado, nem as camadas... Tenho imaginado o presente deste jeito, um tanto óbvio, mas é o que vejo no momento....
E em estratégias de fisicalizar isso. (algumas são até coisas que nós já experimentamos). Enfim....devaneios
17- Cristina Rangel 1
Tava aqui, com minhas caraminholas... pra variar,hhhh...
E pensando no que o Rodrigo falou quanto ao conceito 'presente' ser muito amplo e pensei, pelo contrário, ele abre para várias possibilidades o que na verdade é o verdadeiro motivo de se escolher um conceito. Algo que por si só possa ser interpretado e materializado de formas bem diferentes. Mas que sejam identificaveis como vindas de uma mesma raiz.
Presente envolve o passado e futuro... mas tb é um presente. Presente de 40 anos para uma cia que trabalhou arduamente para realizar para o outro, mas não para si mesma.
Um presente, o que você gostaria de ganhar aos 40 anos... um presente!
Tem tantas conotações, e ao mesmo tempo liberta...
Não sei se vc está me entendendo, mas de qualquer maneira é mais uma das intuições... não penso ser a dona de verdades mas de percepções totalmente intuitivas.
Qual o seu presente? Você escolhe? Seria lindo dar presentes uns pros outros( Me dá um oito aÍ?)
Acho lindo esse "conceito",hhh
18- Cristina Rangel 2
Texto: ENVELHECENDO NA DANÇA de própria autoria (todos conhecem, talvez a ser reutilizado)
19- Sonia Pedroso
"...não há estado de alma, por mais simples que seja, que não mude a cada instante, pois não há consciência sem memória, não há continuação de um estado sem adição, ao sentimento presente, da lembrança de momentos passados. Nisto consiste a duração. A duração interior é a vida contínua de uma memória que prolonga o passado no presente, seja porque o presente encerra distintamente a imagem incessantemente crescente do passado, seja, mais ainda porque testemunha a carga sempre mais pesada que arrastamos atrás de nós, à medida que envelhecemos. Sem esta sobrevivência do passado no presente, não haveria duração, mas somente instantaneidade". Henry Bergson
"A água que você toca dos rios é a última daquela que se foi e a primeira daquela que vem. Assim é o tempo presente". Leonardo da Vinci
Imagens
sobre as imagens que aparecerem tem me vindo imagens de escadas feitas de madeiras c 22 degraus e que fosse móvel, e varias outras escadas com 4, 8, 10 degraus, onde paralelamente usariamos estas escadas relacionadas c o tempo ainda n sei bem foi apenas um flasch que passou na minha cabeça
17.5.11
aula aberta de maio...
Palácio das Artes
Aula Aberta - Arte da Presença | 29 de maio
Grande Estúdio da Cia. de Dança Palácio das Artes
Foto: Paulo Lacerda
No dia 29 de maio, a diretora da Cia. de Dança Palácio das Artes, Sônia Mota, irá ministrar uma aula para os interessados no exercício da arte cênica de dançar. O encontro será às 11h, na Sala Klauss Vianna, no Palácio das Artes.
AS INSCRIÇÕES ESTÃO ENCERRADAS - VAGAS ESGOTADAS
A atividade configura uma das ações comemorativas dos 40 anos da Cia. de Dança Palácio das Artes, completados em 2011. O exercício aproxima o público do Grupo Profissional da Fundação Clóvis Salgado, mostrando um pouco mais da vivência experienciada pelos bailarinos.
O objetivo é conhecer, reviver, analisar e experienciar o exercício da Arte da Presença criado por Mota em 1976, à partir do questionamento sobre determinadas posturas das técnicas clássica e moderna da dança, e da aplicação das ideias e conceitos de Alexander Rowen, Ana Rolf, Fritjof Capra e Ken Dichtwald.
>> Clique e conheça também o Quintas da Dança, projeto da Cia.
A Arte da Presença
Sem ser uma técnica da improvisação, a Arte da Presença improvisa com as regras do dançar. Sem ser meditação, acentua a maneira individual de dançar do dançarino. Diferente de criar uma nova linguagem, busca-se transformar, restaurar, readaptar, reorganizar os códigos existentes da dança em conceitos individuais de dinâmica, textura e tom do movimento. Enfatiza assim a prática dos seguintes tópicos:
- a consciência da força da gravidade
- a eliminação do eixo central em favor dos eixos laterais
- o diálogo entre as polaridades do corpo
- as qualidades de projeção e absorção do movimento
- a utilização das articulações ósseas
- o uso da fantasia na execução dos movimentos
- a eliminação do compromisso de acerto
- o exercício de um estado de não ação
- a prática do simplesmente estar no movimento
Sônia Mota
Sônia Mota é bailarina, coreógrafa e professora de dança. Nas décadas de 70 e 80, exerceu um papel decisivo no desenvolvimento da dança contemporânea brasileira. Residiu e trabalhou durante os últimos 21 anos em Colônia, na Alemanha e assume desde março de 2010 o cargo de diretora artística da Cia de Dança Palácio das Artes.
Serviço
Evento: Aula Aberta - Arte da Presença
Data: 29 de maio
Horário: 11h
Local: Sala Klauss Vianna (Grande Estúdio - 4º andar)
Entrada franca (vagas limitadas - 40) AS INSCRIÇÕES ESTÃO ENCERRADAS - VAGAS ESGOTADAS
Duração: 2h
Classificação etária: 14 anos
Informações: (31) 3236-7400
Aula Aberta - Arte da Presença | 29 de maio
Grande Estúdio da Cia. de Dança Palácio das Artes
Foto: Paulo Lacerda
No dia 29 de maio, a diretora da Cia. de Dança Palácio das Artes, Sônia Mota, irá ministrar uma aula para os interessados no exercício da arte cênica de dançar. O encontro será às 11h, na Sala Klauss Vianna, no Palácio das Artes.
AS INSCRIÇÕES ESTÃO ENCERRADAS - VAGAS ESGOTADAS
A atividade configura uma das ações comemorativas dos 40 anos da Cia. de Dança Palácio das Artes, completados em 2011. O exercício aproxima o público do Grupo Profissional da Fundação Clóvis Salgado, mostrando um pouco mais da vivência experienciada pelos bailarinos.
O objetivo é conhecer, reviver, analisar e experienciar o exercício da Arte da Presença criado por Mota em 1976, à partir do questionamento sobre determinadas posturas das técnicas clássica e moderna da dança, e da aplicação das ideias e conceitos de Alexander Rowen, Ana Rolf, Fritjof Capra e Ken Dichtwald.
>> Clique e conheça também o Quintas da Dança, projeto da Cia.
A Arte da Presença
Sem ser uma técnica da improvisação, a Arte da Presença improvisa com as regras do dançar. Sem ser meditação, acentua a maneira individual de dançar do dançarino. Diferente de criar uma nova linguagem, busca-se transformar, restaurar, readaptar, reorganizar os códigos existentes da dança em conceitos individuais de dinâmica, textura e tom do movimento. Enfatiza assim a prática dos seguintes tópicos:
- a consciência da força da gravidade
- a eliminação do eixo central em favor dos eixos laterais
- o diálogo entre as polaridades do corpo
- as qualidades de projeção e absorção do movimento
- a utilização das articulações ósseas
- o uso da fantasia na execução dos movimentos
- a eliminação do compromisso de acerto
- o exercício de um estado de não ação
- a prática do simplesmente estar no movimento
Sônia Mota
Sônia Mota é bailarina, coreógrafa e professora de dança. Nas décadas de 70 e 80, exerceu um papel decisivo no desenvolvimento da dança contemporânea brasileira. Residiu e trabalhou durante os últimos 21 anos em Colônia, na Alemanha e assume desde março de 2010 o cargo de diretora artística da Cia de Dança Palácio das Artes.
Serviço
Evento: Aula Aberta - Arte da Presença
Data: 29 de maio
Horário: 11h
Local: Sala Klauss Vianna (Grande Estúdio - 4º andar)
Entrada franca (vagas limitadas - 40) AS INSCRIÇÕES ESTÃO ENCERRADAS - VAGAS ESGOTADAS
Duração: 2h
Classificação etária: 14 anos
Informações: (31) 3236-7400
24.3.11
Entrevista com a coreógrafa Sônia Mota
Fotos: Paulo Lacerda
Sônia Mota nasceu em São Paulo, formou-se aos 16 anos em Ballet Clássico e mais tarde se especializou em dança moderna. Na sua trajetória recebeu vários prêmios como melhor bailarina e coreógrafa. Dirigiu o espetáculo 22 segredos, que foi indicado ao prêmio SESC / SATED - 2010 em quatro categorias. Depois de morar um bom tempo na Alemanha, Sônia Mota retorna ao Brasil e agora assume o posto de Diretora da Cia. de Dança do Palácio das Artes.
Por: Yany Mabel
1) Na 15ª edição do Prêmio SESC / SATED, a Cia. de Dança Palácio das Artes concorreu em quatro categorias: melhor espetáculo, com 22 segredos; melhor coreografia, para a diretora da Cia. e coreógrafa Sônia Mota; melhor bailarina, para Carolina Moreira Alves e melhor bailarino, para Cristiano Reis. Você é uma das grandes responsáveis por essas indicações. Qual o peso desse prêmio em sua carreira e como se sente diante dessa situação?
É um prazer saber que a Cia. foi indicada em quatro categorias. Sobre o peso dessas indicações, não considero que seja tanto assim. Não fico correndo atrás de reconhecimento, mas é claro que esse reconhecimento neste momento da minha entrada na Cia. é de grande importância. Isso prova que o trabalho que fiz está batendo com as novas diretrizes do grupo e com o trabalho que ele quer seguir.
2) 22 segredos foi seu primeiro trabalho junto à Cia. de Dança Palácio das Artes e através do resultado foi possível perceber que existiu uma grande sintonia entre diretora e grupo. Gostaria que você falasse um pouco sobre esse processo que transcende a criação artística e atinge a relação humana...
Foi mágico, um encontro de momentos. A Cia. vem trabalhando com esse perfil de bailarino–criador–intérprete por 10 anos. Paralelamente, eu também estava há 20 anos na Alemanha pesquisando e trabalhando.
O Brasil é um país novo, cheio de sonhos e ilusões, um país que vai aprendendo aos trancos e barrancos. Eu mesma fui para a Europa no impulso, na emotividade, e a Alemanha me ensinou a sistematizar, a me basear em fatos da história. Lá eu fui confrontada com perguntas do tipo de onde venho, pra onde vou, o que eu quero. Aqui no Brasil, a gente vai fazendo a coisa no impulso. Na Alemanha, percebi que eu não era tão emancipada como pensava, vi o quanto era carente, o quanto desconhecia a minha própría história. Me vi criança e adolescente, mesmo estando com 40 anos. Isso é positivo por um lado e por outro atravanca o processo de amadurecimento. Já há algum tempo eu estava querendo praticar esse amadurecimento que tive na Alemanha aqui no Brasil, porque aqui tudo é motivado pela paixão. Eu tenho uma filosofia de vida de que quando a paixão é exagerada, ela atrapalha. A gente precisa ter um grande grau de razão, saber por que estamos fazendo isso ou aquilo. É preciso estar consciente. A Cia. de Dança também vinha nesse processo de querer amadurecer e dar esse passo de assumir sua própria identidade, e isso bateu comigo porque eu também queria descobrir qual é minha identidade. Nunca fui diretora e a possibilidade de trabalhar aqui, de estar diante de um grupo, me dá a chance de aplicar minha experiência. Então, o processo de criação de 22 segredos foi o encontro de duas “forças“ que buscavam a mesma coisa.
3) Fale um pouco mais sobre esta linha de bailarino-criador-intérprete que a Cia. de Dança do Palácio segue...
Acho que o grande diferencial desta companhia em relação às outras companhias oficiais do Brasil é que todas as outras têm um compromisso com a juventude e com o repertório, e esse repertório tem que estar de acordo com a expectativa do público. Raramente uma companhia oficial se permite experimentar um novo caminho. E se a direção do Palácio das Artes concorda em investir nessa direção acho que somos uma das primeiras a fazer isso. O compromisso de rebeldia, de ir além da zona de conforto, pertence mais à cena livre e aos artistas independentes. As companhias oficiais ficam dentro do padrão mais comportado, inovador às vezes, mas comportado. Defendo muito o fato de que a média de idade dos bailarinos da Cia. seja de 40 anos. Acho isso fantástico, porque não existe nenhuma companhia de dança com essa média de idade. Acredito que o bailarino só pode ser um intérprete-criador quando já tem uma certa experiência de vida. Quando você é jovem, você arrisca no experimento quase de forma inconsciente. No caso da Cia. é um experimento consciente a forma com que cada bailarino assume seu corpo agora.
4) O que foi mais marcante durante os ensaios do espetáculo 22 segredos pra você?
Tiveram vários momentos fortes, mas o mais forte foi o “vai ou racha“, o momento de assumir idéias e sentimentos. Houve muita confiança nos momentos de troca emocional entre os bailarinos e eu.
5) Como surgiu o convite para ser a nova diretora da Cia.?
Foi tudo muito rápido, o convite foi feito no começo de janeiro e eu tive 15 dias para dar a resposta. Eu estava na Alemanha e isso não me passava pela cabeça. O que me fez decidir foi a vontade de aplicar no Brasil a minha experiência de mais de 40 anos de dança. Aceitei, e pra isso abdiquei do meu trabalho na Alemanha. Fiz isso com certa dor, mas acho que era o momento, penso que devo isso ao meu país. Sempre fui muito bem recebida aqui e agora acho que posso devolver isso.
6) A partir da cumplicidade e respeito que já foi estabelecida entre vocês (Sônia Mota e bailarinos da Cia.), queria saber o que você espera da Cia. de Dança Palácio das Artes durante sua gestão enquanto diretora da Companhia.
Espero que eles sigam comigo neste compromisso com a verdade, e que se assumam como são, dançando dentro da forma que seus corpos e seus espíritos desejam, assim como foi em 22 segredos.
7) Quais são suas expectativas em relação a esse novo trabalho?
Pode parecer pretensioso, mas estou tranquila, vou fazendo passo a passo. Não estou pensando no futuro, quero ir de hoje de tarde para hoje de noite, de hoje de noite para amanha cedo. Estou pensando no agora.
8) Quais são seus planos para a Cia. de Dança Palácio das Artes neste ano de 2010? Você já tem algum projeto em vista?
Quero manter o perfil que a Cia. adquiriu, mas dar um passo à frente, assumindo a auto-criação. Paralelamente faremos uma homenagem aos 40 anos da Fundação, compondo com os bailarinos um programa que aborde esse tema. A outra hipótese é trabalhar com o tema das diferentes gerações, que faz parte da minha trilogia sobre o feminino. Acho que tem a ver com o momento que a gente vive, essa coisa da avó, mãe e filha. A sociedade necessita, hoje, de um diálogo entre o tradicional e o atual, o diálogo precisa existir, e, dentro do tema geração, falo exatamente do diálogo, de como um filho conversa com um pai, o modo como um corpo mais jovem conversa com um corpo maduro.
Sônia Mota nasceu em São Paulo, formou-se aos 16 anos em Ballet Clássico e mais tarde se especializou em dança moderna. Na sua trajetória recebeu vários prêmios como melhor bailarina e coreógrafa. Dirigiu o espetáculo 22 segredos, que foi indicado ao prêmio SESC / SATED - 2010 em quatro categorias. Depois de morar um bom tempo na Alemanha, Sônia Mota retorna ao Brasil e agora assume o posto de Diretora da Cia. de Dança do Palácio das Artes.
Por: Yany Mabel
1) Na 15ª edição do Prêmio SESC / SATED, a Cia. de Dança Palácio das Artes concorreu em quatro categorias: melhor espetáculo, com 22 segredos; melhor coreografia, para a diretora da Cia. e coreógrafa Sônia Mota; melhor bailarina, para Carolina Moreira Alves e melhor bailarino, para Cristiano Reis. Você é uma das grandes responsáveis por essas indicações. Qual o peso desse prêmio em sua carreira e como se sente diante dessa situação?
É um prazer saber que a Cia. foi indicada em quatro categorias. Sobre o peso dessas indicações, não considero que seja tanto assim. Não fico correndo atrás de reconhecimento, mas é claro que esse reconhecimento neste momento da minha entrada na Cia. é de grande importância. Isso prova que o trabalho que fiz está batendo com as novas diretrizes do grupo e com o trabalho que ele quer seguir.
2) 22 segredos foi seu primeiro trabalho junto à Cia. de Dança Palácio das Artes e através do resultado foi possível perceber que existiu uma grande sintonia entre diretora e grupo. Gostaria que você falasse um pouco sobre esse processo que transcende a criação artística e atinge a relação humana...
Foi mágico, um encontro de momentos. A Cia. vem trabalhando com esse perfil de bailarino–criador–intérprete por 10 anos. Paralelamente, eu também estava há 20 anos na Alemanha pesquisando e trabalhando.
O Brasil é um país novo, cheio de sonhos e ilusões, um país que vai aprendendo aos trancos e barrancos. Eu mesma fui para a Europa no impulso, na emotividade, e a Alemanha me ensinou a sistematizar, a me basear em fatos da história. Lá eu fui confrontada com perguntas do tipo de onde venho, pra onde vou, o que eu quero. Aqui no Brasil, a gente vai fazendo a coisa no impulso. Na Alemanha, percebi que eu não era tão emancipada como pensava, vi o quanto era carente, o quanto desconhecia a minha própría história. Me vi criança e adolescente, mesmo estando com 40 anos. Isso é positivo por um lado e por outro atravanca o processo de amadurecimento. Já há algum tempo eu estava querendo praticar esse amadurecimento que tive na Alemanha aqui no Brasil, porque aqui tudo é motivado pela paixão. Eu tenho uma filosofia de vida de que quando a paixão é exagerada, ela atrapalha. A gente precisa ter um grande grau de razão, saber por que estamos fazendo isso ou aquilo. É preciso estar consciente. A Cia. de Dança também vinha nesse processo de querer amadurecer e dar esse passo de assumir sua própria identidade, e isso bateu comigo porque eu também queria descobrir qual é minha identidade. Nunca fui diretora e a possibilidade de trabalhar aqui, de estar diante de um grupo, me dá a chance de aplicar minha experiência. Então, o processo de criação de 22 segredos foi o encontro de duas “forças“ que buscavam a mesma coisa.
3) Fale um pouco mais sobre esta linha de bailarino-criador-intérprete que a Cia. de Dança do Palácio segue...
Acho que o grande diferencial desta companhia em relação às outras companhias oficiais do Brasil é que todas as outras têm um compromisso com a juventude e com o repertório, e esse repertório tem que estar de acordo com a expectativa do público. Raramente uma companhia oficial se permite experimentar um novo caminho. E se a direção do Palácio das Artes concorda em investir nessa direção acho que somos uma das primeiras a fazer isso. O compromisso de rebeldia, de ir além da zona de conforto, pertence mais à cena livre e aos artistas independentes. As companhias oficiais ficam dentro do padrão mais comportado, inovador às vezes, mas comportado. Defendo muito o fato de que a média de idade dos bailarinos da Cia. seja de 40 anos. Acho isso fantástico, porque não existe nenhuma companhia de dança com essa média de idade. Acredito que o bailarino só pode ser um intérprete-criador quando já tem uma certa experiência de vida. Quando você é jovem, você arrisca no experimento quase de forma inconsciente. No caso da Cia. é um experimento consciente a forma com que cada bailarino assume seu corpo agora.
4) O que foi mais marcante durante os ensaios do espetáculo 22 segredos pra você?
Tiveram vários momentos fortes, mas o mais forte foi o “vai ou racha“, o momento de assumir idéias e sentimentos. Houve muita confiança nos momentos de troca emocional entre os bailarinos e eu.
5) Como surgiu o convite para ser a nova diretora da Cia.?
Foi tudo muito rápido, o convite foi feito no começo de janeiro e eu tive 15 dias para dar a resposta. Eu estava na Alemanha e isso não me passava pela cabeça. O que me fez decidir foi a vontade de aplicar no Brasil a minha experiência de mais de 40 anos de dança. Aceitei, e pra isso abdiquei do meu trabalho na Alemanha. Fiz isso com certa dor, mas acho que era o momento, penso que devo isso ao meu país. Sempre fui muito bem recebida aqui e agora acho que posso devolver isso.
6) A partir da cumplicidade e respeito que já foi estabelecida entre vocês (Sônia Mota e bailarinos da Cia.), queria saber o que você espera da Cia. de Dança Palácio das Artes durante sua gestão enquanto diretora da Companhia.
Espero que eles sigam comigo neste compromisso com a verdade, e que se assumam como são, dançando dentro da forma que seus corpos e seus espíritos desejam, assim como foi em 22 segredos.
7) Quais são suas expectativas em relação a esse novo trabalho?
Pode parecer pretensioso, mas estou tranquila, vou fazendo passo a passo. Não estou pensando no futuro, quero ir de hoje de tarde para hoje de noite, de hoje de noite para amanha cedo. Estou pensando no agora.
8) Quais são seus planos para a Cia. de Dança Palácio das Artes neste ano de 2010? Você já tem algum projeto em vista?
Quero manter o perfil que a Cia. adquiriu, mas dar um passo à frente, assumindo a auto-criação. Paralelamente faremos uma homenagem aos 40 anos da Fundação, compondo com os bailarinos um programa que aborde esse tema. A outra hipótese é trabalhar com o tema das diferentes gerações, que faz parte da minha trilogia sobre o feminino. Acho que tem a ver com o momento que a gente vive, essa coisa da avó, mãe e filha. A sociedade necessita, hoje, de um diálogo entre o tradicional e o atual, o diálogo precisa existir, e, dentro do tema geração, falo exatamente do diálogo, de como um filho conversa com um pai, o modo como um corpo mais jovem conversa com um corpo maduro.
24.2.11
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Cia de Dança Palácio das Artes
Fundada em 1971, a Companhia de Dança Palácio das Artes tornou-se uma das maiores do Brasil. Adota uma linha de trabalho voltada para obras contemporâneas, destacando-se pela qualidade técnica de seus bailarinos e pelo estímulo à criatividade coletiva.
>>Conheça a Cia. de Dança
Fundada em 1971, a Companhia de Dança Palácio das Artes tornou-se uma das maiores do Brasil. Adota uma linha de trabalho voltada para obras contemporâneas, destacando-se pela qualidade técnica de seus bailarinos e pelo estímulo à criatividade coletiva.
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